Desejo de contribuir para mudar a realidade social atraiu missionários de outros países ao Brasil

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A pedido do então bispo da diocese de Lins (SP), dom Pedro Paulo Koop, o então padre da Bélgica Eugênio Rixen chegou ao Brasil em janeiro de 1980, como padre “Fidei Donum” da diocese de Liege, termo usado para designar um padre missionário diocesano, descrito na encíclica “Fidei Donum” de abril de 1957, do papa Pio XII. Em 1996, dom Eugênio se tornou bispo e continuou como bispo auxiliar de Lins por mais 3 anos. Ele veio como missionário para o Brasil num contexto em que a Igreja contava com poucos padres.

“Quis colocar meus dons a serviço desta Igreja, principalmente na Pastoral Catequética e no trabalho com os jovens”, reforça. Já há 19 anos, dom Eugênio Rixen é bispo da diocese de Goiás (GO). O religioso também exerceu a presidência da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico Catequética na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Trabalhei muito para uma renovação da catequese na linha de uma verdadeira iniciação à vida cristã”, disse. Em sua terra por “adoção”, como se refere ao Brasil, o religioso sempre procurou estar perto do sofrimento das pessoas, dos sem terra e dos soropositivos.

Luz para os presos
Em janeiro de 1991 quem desembarcou no Brasil para dedicar-se como missionária às causas sociais foi a alemã irmã Petra Silvia Pfaller, da Congregação Missionárias de Cristo. “Desde que entrei na comunidade das irmãs, em 1986, eu sempre queria ir além fronteiras, morar e trabalhar com o povo mais pobre e excluído”, disse. Inicialmente seu desejo era ir para a África, mas em seu noviciado em Munique se encantou pelo relato de religiosas brasileiras que trabalhavam com as comunidades eclesiais no Brasil, fato que a fez mudar de rota.

Seu trabalho no Brasil começou na região do Bico do Papagaio, no extremo norte do Tocantins. “Lá conheci o povo pobre e esquecido, sem acesso a direitos, apesar das leis que existem”, relatou. E foi isto que a fez ir para a arquidiocese de Goiânia cursar a faculdade de direito. Nesta Igreja local, a pedido do então arcebispo dom Antônio Ribeiro, aceitou o convite para fundar a Pastoral Carcerária, missão a a qual se dedica até hoje. Irmã Petra atualmente coordena, na Pastoral Carcerária nacional, o trabalho voltado para as mulheres presas.

“Desde 1996 visito os porões da humanidade, junto com outros agentes da Pastoral Carcerária. A partir de 2010, colaboro com a Coordenação Nacional nesta missão desafiadora, bonita, complexa e profética”, relembra. Neste trabalho, a religiosa se depara com realidades duras. “Nestes porões encontramos pessoas jogadas em celas superlotadas, escuras, fedorentas, muitas vezes sem contato com as famílias ou qualquer possibilidade de falar com um advogado e sem assistência de saúde”, exemplifica.

Atualmente existem no Brasil aproximadamente 725 mil pessoas presas, sendo 45 mil mulheres. “Queria ser luz nestas celas escuras, com estas pessoas esquecidas e odiadas pela sociedade”, assim define seu chamado missionário.

Superação dos abismos da injustiça 

O padre jesuíta Thierry Linard de Guertechin também mudou de rota. Em 1974 queria ir para a Índia fato desaconselhado pelo seu padre geral dada as dificuldades de conseguir visto para o país. Os padres brasileiros que conheceu no curso de teologia na Bélgica o estimularam a vir ao Brasil dedicar-se à missão. Ele chegou ao país em novembro de 1975. Trabalhou por 20 anos no Rio de Janeiro, na favela da Rocinha.

Há 20 anos encontra-se em Brasília, onde dedicou parte do seu tempo ao extinto Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (Ibrades). Hoje no Centro Cultural de Brasília, instituição dos padres jesuítas, está por trás da organização do Observatório de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida. “Este trabalho pretende analisar a realidade social e contribuir para a superação do abismo da injustiça social que não se alterou no Brasil desde que cheguei por aqui”, disse.

Padre Thierry colabora com a CNBB como assessor especial e integra o grupo de peritos que produz a Análise de Conjuntura mensal para a entidade. O religioso destaca que o desafio de saber falar o português foi uma de suas maiores dificuldades. “Não perdi o sotaque mesmo depois de 40 anos morando aqui. O que me consola é que a pessoas são muito amáveis e dizem que o meu sotaque é charmoso”, conta.

Sua formação básica é nas áreas de Filosofia e Teologia, com mestrado em Demografia, pela Universidade Católica de Lovaina e em Geografia na Universidade de Liège, Bélgica. Foi professor na PUC/RJ de 1976 a 1996, no departamento de Sociologia e Ciências Políticas. Na Rocinha, foi assistente espiritual da Ação Social Padre Anchieta (ASPA).

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